sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

TERRY ETIM RFT INGLATERRA


Mestre Marcelo Brigadeiro


Atleta Terry Etim

Você não conhece Terry Etim? Anote este nome, pois você ainda vai ouvir muito sobre este inglês, de 24 anos, que está chamando a atenção no UFC. Fã de Anderson Silva, o peso leve ficou perto de ser cortado do UFC, mas venceu suas últimas quatro lutas, abocanhou dois prêmios de finalização da noite e vem roubando a cena. Em entrevista exclusiva à TATAME, o inglês falou sobre seu começo nas lutas, seu crescimento no MMA com a Luta Livre e o sonho de se tornar o primeiro inglês a conquistar um cinturão no UFC. Mas, segue sem pressa. “Com muito suor e dedicação, espero chegar lá um dia”, disse, imaginando como seria uma luta contra BJ Penn. Confira abaixo o bate-papo com o casca-grossa.

Como você começou no MMA?

Eu comecei depois de assistir umas fitas dos primeiros eventos do UFC. Assim que desliguei a TV fui me inscrever em uma aula de Muay Thai, na equipe do Colin Heron, com quem treino ate hoje.

Quem é o seu maior ídolo no MMA?
Gosto muito do Anderson Silva, acho que ele consegue trazer todos seus adversários para o seu jogo.

Tem algum adversário que você gostaria de enfrentar?

Não penso nisso, nunca gostei de escolher adversários e sempre lutei com quem o UFC colocou pra mim. Só penso em seguir vencendo no UFC.

Você teve um começo de carreira arrasador, mas perdeu duas seguidas no UFC. Você sentiu a mudança para o UFC?
Nessas duas derrotas eu enfrentei atletas muito mais experientes que eu. Além disso, eu não tinha um bom jogo de chão e, mesmo assim, lutei ate o final, perdendo na decisão. Hoje, me sinto um lutador muito mais completo a Luta Livre me de mais segurança e com certeza, hoje em dia, o resultado daquelas duas lutas seria diferente.

Como surgiu a oportunidade de ir para a RFT?
Eu fui ao Brasil acompanhando meu parceiro de treino, o Mark Scanlon, e fui treinar na RFT. O que me impressionou foi a forma como fui tratado, todos lá me trataram muito bem.

Você tem vontade de vir treinar na RFT no Brasil?
Tenho sim. Gosto muito de todos da RFT do Brasil, sinto que além de companheiros de equipe são também verdadeiros amigos que sempre torcem por mim e eu por eles. O único problema é o meu calendário de lutas e treinos, que é bem puxado, e acabo não tendo tempo de viajar.

O que você conhece do Brasil?
Gosto muito do Brasil. Conheço o Corcovado, Pão de Açúcar, as praias de Ipanema, Copacabana... Acho o Rio de Janeiro muito bonito.

Como funciona a parceria entre a Team Kaobon e a RFT?
A Kaobon é uma equipe de tradição no Muay Thai, mas nós não tínhamos um professor de chão com a qualidade que precisávamos. Então, decidimos contratar o Marcelo Brigadeiro, que é um faixa preta de Luta Livre da RFT, para ficar responsável pelos treinos de Luta Livre da gente. O Brigadeiro chegou aqui e firmou essa aliança entre a Kaobon e a RFT e agora representamos ambas. Essa parceria está dando tão certo que já conquistamos 58 vitórias em 62 lutas de MMA.

Fale um pouco sobre os treinos na RFT. Você treina com quais brasileiros?

Eu treino todo dia com o meu professor, o Marcelo Brigadeiro, mas ele sempre procura trazer alguns lutadores da RFT do Brasil para lutar e treinar com ele aqui na Inglaterra, então acabo treinando com eles também. Esse ano, já vieram o Julian Jabá, o Franklin Jensen, o Felipe Borges e o Besouro.

Que mudanças a Luta Livre trouxe para o seu jogo e como isso mudou a sua carreira?
A Luta Livre mudou muito minha carreira. Isso porque sempre me sai bem na trocação, e por isso meu chão era trabalhado como uma arte secundaria. Eu me sentia como um striker que “se virava” no chão. Quando o Brigadeiro chegou aqui, ele me chamou pra conversar e disse que queria me transformar em um autêntico lutador de chão, e até brincou que logo eu seria um “grappler” que se virava em pé. Ele tem um jogo de chão muito técnico e agressivo, sempre buscando a finalização e eu, treinando com ele todo dia, passei a copiar o seu jogo. De lá prá cá foram quatro vitórias no UFC em quatro lutas e dois prêmios de finalização da noite. Hoje me sinto um lutador completo e muito confortável e confiante quando a luta vai para o solo.

Quais os planos para essa grana extra das finalizações da noite?

Eu vou guardando essa grana... Sou muito novo ainda e não sabemos o dia de amanhã.

Antigamente, você evitava levar as lutas para o chão, mas hoje as suas vitórias vêm de lá...
Antes, quando a luta ia para o chão, eu ficava nervoso e pensava que eu tinha que sobreviver até que a luta voltasse de pé. Hoje, penso que meu adversário está em maus lençóis e que posso finalizar qualquer um. A Luta Livre que venho aprendendo está me tornando um lutador melhor a cada dia.

Você estava quase sendo cortado do UFC, e hoje é uma das grandes revelações da categoria. Como você vê isso?
Eu acho que isso se deu graças à minha evolução como atleta e ao trabalho duro dos meus treinadores Colin Heron e Marcelo Brigadeiro, que conseguiram me moldar da forma certa. Além disso, conto com excelentes parceiros de treino e de uma estrutura invejável na RFT/Kaobon.

O UFC nunca teve um campeão inglês. Você sonha com isso?
Com certeza, mas não tenho pressa. Com muito suor e dedicação, espero chegar lá um dia.

A sua categoria tem sido dominada por BJ Penn há um bom tempo. O que você acha dele?
O BJ é um lutador excepcional. Ele é completo e tem um jogo muito objetivo, é perigoso e com certeza merece estar onde está.

O UFC já falou sobre uma possível chance pelo título?
Eu procuro não me envolver muito nesse assunto, tenho um empresário que cuida da minha carreira e o Colin e o Brigadeiro que me deixam pronto para qualquer adversário. Eu só me preocupo em treinar e fazer o que meus treinadores me dizem para fazer. Minha chance de lutar virá pelo título virá um dia e eu estarei pronto quando isso acontecer.

Como você acha que seria uma luta contra ele?
Seria uma luta dura, com certeza. Uma estratégia inteligente teria que ser traçada e seguida porque contra ele não se pode bobear. A única certeza é que eu exploraria minha maior envergadura e tentaria preparar alguma surpresa.

Você já sabe quando voltará ao octagon e quem será o seu adversário?
Ainda não sei com quem vou lutar, mas estou na expectativa de lutar no início do ano que vem. Sou funcionário do UFC e quando eles me escalarem eu vou lutar, darei o meu melhor.